domingo, 29 de agosto de 2010

O quebra-cabeça

Quem se mete a sempre fazer a própria comida tem um desafio semanal: saber qual será o cardápio de segunda a sexta e, mais do que isso, planejar as compras de forma a ter tudo à mão e evitar desperdícios. Essa é a diferença entre jantar arroz, um belo omelete de queijos e uma salada de folhas feitos na hora e colocar uma lasanha industrializada no micro-ondas. Já no sábado à tarde começo a pensar no que precisarei comprar na feira de domingo. O que está mais bonito, mais barato, na época? Será que vamos dar conta de dois pés de alface e de um maço de espinafre ao longo da semana? Montar as pecinhas do "quebra-cabeça" dá trabalho, mas ajuda muito na hora de elaborar o cardápio – de preferência com "a mistura" diferente no almoço e no jantar. Tenho a sorte de ser vizinha de uma ótima feira livre, que sempre tem os melhores produtos da Ceagesp (só a barraca de flores é meio fraquinha, mas dá pra comprar no supermercado e deixar a mesa das refeições sempre enfeitada).
Nesta semana, a lista incluiu: uma couve-flor (bem grande e bonita, boa pra fazer gratinada no forno ou salada com tomate e salsinha), dois quilos de tomate bem vermelhinho (pro molho de tomate caseiro), um quilo de cebola (não vivo sem), um maço de espinafre (vou tentar um creme pra acompanhar um linguado ao forno), um pé de alface crespa, um maço de rúcula hidropônica (dura um pouco mais que a tradicional na geladeira) e um macinho de hortelã (tenho planos para um filé de peito de frango...). Outras coisas básicas (alho-poró, salsinha, alho, batata e cenoura) eu ainda tinha em casa. Entre as frutas, entraram na lista uma dúzia de laranja, uma caixa de mamão papaia (com cinco), meia-dúzia de bananas e quatro peras. A conta: R$ 30 – mesmo preço de duas lasanhas industrializadas e de uma torta de sorvete.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Pro lanchinho da tarde

Não faz nem dois meses que mudei meu horário de trabalho pela terceira ou quarta vez nos últimos tempos. Quem me conhece sabe o quanto sou metódica e pode imaginar como sofro pra me adaptar a cada nova rotina. Por ora, já me acostumei a almoçar e restaurante todo dia (até me dá ideias de novas receitas, assunto para outro post), mas agora tenho ainda mais fome no fim da tarde. Nada melhor, portanto, que abrir a porta de casa e dar de cara com uma tortinha de banana, ótima para acompanhar um chá-mate com limão. Essa receita tem sido minha salvação nos últimos tempos. Ela é fácil, rápida e ainda resolve um problema adicional: o que fazer com aquelas quatro bananas que sobraram da feira da semana passada? Aliás, quem frequenta feira livre já deve ter percebido que, no caso das bananas, só existem dúzias de 14 e meias-dúzias de 7 (generosidade dos feirantes pra conquistar as freguesas...). Aí vai a receita:

Torta de banana (para duas pessoas)
– uma xícara de farinha de trigo (eu costumo peneirar, deixa a torta mais fofinha)
– uma xícara (não cheia) de açúcar mascavo (essa parte merece uma observação: em casa eu só uso açúcar mascavo, que adoça bem menos que o refinado; quem preferir o tradicional branquinho deve reduzir a quantidade se não quiser que a torta fique muito doce, até enjoativa)
– um ovo
– uma colher de sopa de margarina sem sal em temperatura ambiente (acho que fica melhor assim, mas também já fiz com a margarina com sal e deu certo)
– uma colher de chá de fermento em pó
– canela em pó a gosto
– quatro bananas prata cortadas no comprimento
– uma xícara (não cheia) de leite
– O preparo é bem simples. O primeiro passo é acender o forno a 180º para pré-aquecimento. Em uma tigela grande, misturo o ovo, a margarina e o açúcar e bato (na mão mesmo, sem batedeira) até formar um creme (demora uns três ou quatro minutos). Depois acrescento a farinha e o leite, misturando até formar uma massa homogênea (não muito espessa). Por último, entra o fermento, que deve ser lentamente incorporado à massa. Para levar ao forno, uso uma assadeira daquelas retangulares e pequenas (especiais para fazer pão de forma) com teflon, mas um bom marinex também serve. Unto com margarina e polvilho com canela. Em seguida, despejo metade da massa. Por cima vai uma camada das bananas cortadas; o restante da massa e o que sobrou das bananas. Não sei por que, mas é legal dar uma batidinha na assadeira antes de levá-la ao forno. Na minha casa, a 180º, a torta fica pronta em 25 minutos, mas é bom sempre ficar de olho depois de 20 minutos. Se um garfo fincado na massa sair limpinho, está pronta. Dependendo da fome (ou da vontade de comer) desenformo ainda quentinha.

sábado, 21 de agosto de 2010

A preguiça

Hoje é sábado, estou sozinha em casa, está gelado aqui dentro apesar do solzinho lá fora. E vou precisar fazer alguma coisa pra almoçar. Pessoas mais práticas diriam "liga pro delivery e pede um yakissoba", mas  depois que a gente acostuma com o tempero de casa fica mais exigente. Resultado: terei que vencer a preguiça e encarar o fogão. Acho que cozinhar no almoço de sábado é ainda mais complicado do que montar um cardápio para a semana. Não posso fazer muita comida, porque provavelmente amanhã eu e o Cesar (preciso apresentar aos que não conhecem: o amor da minha vida, companheiro há quase 15 anos e principal cobaia das minhas experiências na cozinha) não vamos amoçar em casa e não quero jogar nada fora. Vou apelar, então, para o velho forno do meu Brastemp embutido, que em 20 minutos deixa pronta a receita de abobrinha com parmesão, que posso acompanhar de um arroz com alho-poró e cenoura (ah, ainda bem que sobrou na geladeira meio pé de alface higienizado pra fazer uma salada com tomate e azeitona preta temperada). A receita:

Abobrinha no forno (para duas pessoas)
– Uma abobrinha italiana cortada em rodelas finas
– Uma cebola média cortada em rodelas
– Sal (pouco) e pimenta (do reino ou calabresa)
– Parmesão ralado na hora
– Azeite extravirgem (faz toda a diferença)
– O preparo, na verdade, se resume à montagem em uma assadeira (de preferência de vidro com teflon, não gruda nada). Na sequência, vão o azeite, a abobrinha, o sal, a pimenta, a cebola e o parmesão cobrindo tudo. Antes de colocar no forno (pré-aquecido), ponho mais um fio de azeite. Já tentei essa receita também com um ovo batido na mistura, dá uma boa liga nos ingredientes. Deixo 20 minutos no forno a 180º. A gente sabe que ficou pronto quando sente o cheiro delicioso do parmesão gratinado.

O começo

Normalmente começa assim: “Rejane, como você faz aquela abobrinha no forno com cebola e parmesão?” “Que parte do alho-poró você corta primeiro?” “Tem algum vinho de menos de R$ 40 que seja bom pra comprar no supermercado?” “Precisa mesmo colocar salsão e cenoura no molho de tomate?” “É verdade que dá pra fritar ovo sem uma gota de óleo naquela sua frigideira nova?” “Não acredito que você higieniza a salada com cândida!”. Dessas consultas informais, que notei cada vez mais frequentes, sempre saem ótimas conversas, seja na redação do jornal, seja na mesa do almoço de domingo na casa da sogra. Minha experiência como cozinheira não tem mais que cinco anos, embora as panelas façam parte da história da minha família mineira. Mas percebi que acabei virando uma modesta disseminadora da arte de cozinhar todos os dias – sim, porque é muito bonito, muito glamuroso dizer “eu adoro fazer pratos que surpreendam meus convidados”, mas pouco se fala da árdua tarefa dos homens e mulheres (ainda mais mulheres do que homens) que gastam horas e horas da geladeira para o fogão, do fogão para a pia, todo santo dia. Tenho vontade de arrancar os cabelos quando vejo um chef estrelado dizendo na TV que “o primeiro passo para um bom risoto é um caldo de legumes caseiro”. Ora, quem tem tempo hoje de ficar hoooooooras esperando os sabores dos legumes se “misturarem” na água fervente? Por isso, meu lema é: sempre adaptar (já fiz muitos risotos com água quente, sal e pimenta calabresa de improviso, sempre elogiados).


Foi pensando em organizar e repassar minhas receitas, segredinhos e truques de quem faz o almoço e “a janta” cotidianamente – e com os desafios extras de desperdiçar o mínimo possível de ingredientes e de deixar a cozinha um brinco – que resolvi montar esse blog. Também espero ter a chance de conviver, mesmo a uma certa distância, com amigos que compartilham o gosto pela comida, sejam eles pilotos de fogão há muitos carnavais ou apenas bons de garfo e de taça (o que seria, afinal, dos cozinheiros, sem os comensais e seus elogios, críticas e momentos de indiferença?). Tomara que eu consiga acertar no sal que, como sabiamente diz dona Canô, mãe de Caetano, “é um dom”. Saúde a todos!!